quinta-feira, 15 de maio de 2014


Imagem - Nicola Simbari

Poesia e sensualidade

MEU ENIGMA


 Imagem da Web - desconheço a autoria

Sou um enigma
E em mim
vislumbro visível
            azul todas as respostas
Mas finjo não ver
Rio,
escandalosamente rio
despenteio os cabelos
arranho a pele
escondo-me de mim
brinco
farejo como uma loba
Meu enigma
distorce o fôlego
o peito pulsante
E esgueiro-me
pela sombra
pela luz
Vejo-me e vejo em volta
Mordo o lábio
Os olhos iluminam à noite
Meu enigma
espalha-se
e eu sussurro que me perdi
Mas vejo-me
fortuita
atrás de minhas
imagens nuas
E minhas visões
transpiram na pele quente
no hálito de língua
na mesma marca de mulher
amante
de mulher poeta
asas de águia
leveza
precisão
Sou o possível
que passa
E o desvio enigmático
do impossível.

Jacqueline Torres


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Dia Internacional da Mulher e Dia da Poesia

HOMENAGEM REALIZADA EM 14/03/2014 NA APLA – ACADEMIA PESQUEIRENSE DE LETRAS E ARTE EM PARCERIA COM A SOPOESPES – SOCIEDADE DOS POETAS E ESCRITORES DE PESQUEIRA PELO DIA 08 DE MARÇO, DIA INTERNACIONAL DA MULHER E 14 DE MARÇO, DIA NACIONAL DA POESIA

            A Academia Pesqueirense de Letras e Arte – APLA realizou no último dia 14 de março do corrente ano, em parceria com a SOPOESPES – Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira, uma sessão solene em homenagem ao  8 de março, Dia Internacional da Mulher e ao 14 de março, Dia Nacional da Poesia. Contamos com a presença de acadêmicos e vários membros da SOPOESPES como também de convidados e das homenageadas do evento, duas das quatro homenageadas não puderam comparecer. A sessão teve a abertura oficial realizada pelo Sr. Sebastião Fernandes, presidente da Academia. Houve a execução do Hino Nacional e em seguida a fala dos oradores da noite. Pela APLA, os escritores Laurene Almeida homenageando a Mulher e Zuleide Siqueira homenageando o Dia da Poesia, pela SOPOESPES, as escritoras, Maria Rita prestando a homenagem às Mulheres e Jacqueline Torres homenageando também o Dia da Poesia. Ainda contamos com as homenagens do Sr. Paulo Muniz, editor do blog O Abelhudo, as duas datas celebradas nessa noite. Após a fala dos oradores e oradoras tivemos um recital poético com a participação dos poetas, Francisco Aquino, este, antes da leitura de seu texto fez uma nota de repúdio à violência que acontece atualmente na cidade de Pesqueira, continuando, Edmilton Torres, Zélia Costa, Célio Guimarães, Maria José (Jusa), Margarida Maciel e Jacqueline Torres, contamos ainda com Maria do Socorro Martins ao teclado animando o evento. Após o recital a Sra. Lourdes Peixoto homenageou as mulheres que foram destaque na cidade, por seu trabalho com a arte popular e o empreendedorismo e com a educação, respectivamente, as Sras. Marieta Monteiro e Fabiana Tenório. Todas as mulheres presentes receberam um texto ressaltando a data e um botão de rosa. Seguiu-se um lanche nas dependências da APLA para todos os presentes. 

Texto: Jacqueline Torres
A autora é membro da Sopoespes – Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira e membro da UBE – União Brasileira de Escritores – Seção PE.

Fotos: Jacqueline Torres e Olindina Guimarães




terça-feira, 6 de maio de 2014

POESIA DE ENCANTAMENTO


Imagem da Web - Desconheço a autoria

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Para sempre

AO 16 DE ABRIL DE 1987

Gravura: Anne-Julie Aubry

Levo 27 anos para escrever sobre aquele 16 de abril de 1987... Quinta-feira Santa, como se denomina. Semana Santa de 87. Não são vinte e sete dias, vinte e sete semanas, nem vinte e sete meses... São anos, longos vinte e sete anos. E tudo me parece recente, porque permanente. Porque está coberto de perpetuidade.  

Ao contrário do que se costuma dizer, eu estava no lugar certo, na hora certa... Porque tinha de ser. Porque minha sina poética talvez tenha encarnado definitivamente naquela noite tão repleta de misticismo. Que voz foi aquela que ouvi em mim? Quem determinou aquele homem cruzar literalmente a minha frente sem que eu lhe visse o rosto, sem que lhe visse os olhos de noite eterna, sem que percebesse sequestrada a minha alma para sempre?

 Depois daquela hora nunca mais meus dias amanheceram... Tornei-me mais crepuscular do que já fora até aquela data. Contudo não trouxe essa noite permanente aos meus dias nenhuma sombra, mas uma voluptuosidade serena, mística, vital a minha parca existência.  Custa-me escrever, mas a lembrança permanece acesa como uma chama inextinguível, escrever é só um sopro de alento ao coração, se é que ainda o tenho. A urdidura da vida teceu um destino aos meus passos, foi precisa e inexorável... Definitivamente, não entramos na vida de ninguém sem um propósito. Só lastimo amargamente que alguns passem tão breve. Mas em mim o que rasgou no peito e fendeu a alma não ficou no calendário num 16 de abril tão distante, foi cesura que alcançou meu cerne, minha escrita, minha mortalidade eterna. Meu para sempre. 

Jacqueline Torres, em 16 de abril de 2014.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Saudade

PORQUE ÀS VEZES...

Imagem da Web - Desconheço a autoria

quinta-feira, 20 de março de 2014

Invasão

POEMA DE INVASÃO


 Gravura: Anne-Julie Aubry

Por que caminhas com teu rastro de pedra a minha volta?
Por que sopra de teus cílios um vento ondeado de azul e cinza
                        que entorna meus cabelos?
Entras furtivo nos meus sonhos
e rouba-me os beijos mornos que guardo
                        com palavras veladas,
                        pra dizer ao teu ouvido distante e impreciso
Por que me sequestras pra morosidade de tua voz
                        armadilha tosca
                        ventania de flores
da qual fujo e me enveredo e me precipito mais e mais?
Por que me feres com teu riso?
Por que me privas da mobilidade
                        sem que me detenhas?
Por que teço perguntas num papel áspero pra descrever a suavidade
                        de nuvem vespertina de teus olhos?
Por que minha mão em fuga, cerze inábil poema de areia?
Palavras... Palavras... Palavras...
Meu coração com voz de cacimba responde de água cristalina e fria
                        sob o lodo tátil toda a resposta,
e guardo-a delicadamente sob as pétalas azuis e roxas
                        de flores escondidas no meu peito.
Invadiste-me.
Nada mais pergunto

nada mais posso dizer de ti.   

Jacqueline Torres

Dia da Poesia





















 Imagem da Web: desconheço sua autoria

quarta-feira, 12 de março de 2014

8 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Foto: Sebastião Salgado

Estava procurando algumas matérias para o dia “8 de março” e encontrei uma avalanche de “coisinhas” tipo: “Mulher símbolo do amor, da graça, da beleza... Mulher é uma joia... uma flor... um encanto... sonhadora, meiga, paciente, encantada...” Até quando vão nos ver como uma espécie de bibelô? Que nos cabe alguns desses atributos, até acho, igualmente, os cabem a alguns homens. Mas por traz desse derramamento de predicativos sedosos e lustrosos estão os conceitos de incapacidade, devaneio, futilidade, material de posse, função utilitária... Penso que muitos homens consideram a mulher com seu devido valor, e são esses que combatem ao nosso lado por direitos iguais e respeito às questões de gênero.
Não creio que excedo no meu olhar, mas pouco vejo de prática na sociedade que contradiga a minha fala. Mulher é de luta! Mulher é resistência! Mulher faz história! Quero estar ligada a predicativos que me reconheçam com a minha força humana de combate e não como uma delicada e delgada flor pendida em um vaso de porcelana.

MEUS PARABÉNS A TODAS AS MULHERES ESCRITORAS, DA PROSA E DO VERSO E TODAS AQUELAS QUE ESCREVEM COM A PRÓPRIA VIDA NA MEMÓRIA DA HISTÓRIA A SUA PROSA DIÁRIA.


VIVA O DIA 8 DE MARÇO! DIA DA MULHER, DIA DE LUTA!



Jacqueline Torres – Escritora, membro da UBE - União Brasileira de Escritores – Seção PE e da SOPOESPES – Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira/PE 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Charles Baudelaire

Imagem da Web - Desconheço a autoria
Imagem: Jacqueline Torres

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Poeta Sá de Miranda

" Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo:
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim. "


Sá de Miranda 
Poeta português nascido em Coimbra em 28/08/1491 e morto em Amares 15/03/1558


DAS LÁGRIMAS

             Arte: Anne-Julie Aubry

Em que espaços decaem
as minhas lágrimas,
que tanto tento contê-las
e não consigo?

Que espaços profundos
são esses
que todo choro derramado
ainda não deu
no seu limite?

Jacqueline Torres

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

OUTROS DIAS

Imagem da Internet - Desconheço a autoria

Não terei pelos calendários
nenhuma lembrança guardada
pra deixar para algumas
futuras quartas-feiras que virão
Meu nome será leve
e incômodo de dizer
Dito
a brisa soprará mais triste
O vento irá bramir baixinho
Não terei pelos calendários
a cor dos meus cabelos
nem meus olhos noturnos
Meu retrato plasmado de infinitos
de incógnitas e de amores indizíveis ficará.
Ficará pelo filtro da retina distante
e viva eternamente fixa.
Nada saberão de mim outros dias
de meu coração queixoso
de meu séquito de solidão e pesar
que segue
e que segue
lento
pelas vias mal calçadas
de meus tristes versos.


( Jacqueline Torres )
 Imagem da Internet - Desconheço a autoria

Saudade

Escrito em 30 de setembro de 2013





PALAVRA E IMAGEM


 Imagem da Web - Desconheço a autoria
INTERIORANA



A minha alma interiorana olhava da janela e andava nas tardes por entre as bananeiras,
caçava pardais para registrar seu trilado... A rua terminava na esquina. E a cidade na estrada retilínea que comia aquele taquinho de agreste e sumia-se na alva areia, às vezes poeira, às vezes barro vermelho, corria, ganhava o sertão... No agreste criei raízes num fevereiro de luz. Mas impulsionaram minha alma de quintais para a selvageria dos prédios, carnaúbas cegas espetando amplidões, e aos ouvidos misturaram-se buzinas, motores e a ferrugem das vidas fora dos trilhos. O azáfama por todos os lados. Meu coração virou um selvagem urbano. Contaminou-se de zumbidos e de água escura, ventos aquosos, marés tormentosas e agudas. Vazantes de sombras e lixo... O sol tatuou na pele muda as cores do dia. Meu ventre lançou duas sementes em sua tirania acesa, antiga, santa e profana. Abri de minhas distâncias entre as bananeiras à sombra das romãs tranquilas da memória, minha tríade bendita, e pelas janelas assomou o Frevo, o poema de Carlos Pena Filho, as almas que andaram no cais, nas pontes, na Rua da Aurora. Eu quis não me fazer vencida. Eu quis fugir. Inútil foi. Minhas moléculas são feitas de palavras. Nesse contexto não sou dona de mim... De mim a distância não me visito. As bananeiras estão quedas. O cheiro de tempo caminhando moroso nas calçadas, já não alcanço. Sou cabocla domada no burburinho urbano. Vencida aos rés do chão dou-me forma plena. Ilumino minha retina e reconheço no espelho minha alma de barro, de flor de mandacaru e de poeira. Sou uma sertaneja de alma velha, de alma poética, perdida no caos incivilizado da cidade bela e atroz.

( Jacqueline Torres )


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

QUANDO CHEGASTE

 Imagem da Web - Desconheço a autoria

Interrompeste o meu verão
com o pão dos teus olhos e
com as tuas mãos iluminadas de aroma
E eu outonei
meu coração inquieto
E fiquei do meu canto
te seguindo a voz
Alimentei-me de teu nome de trigo
e poente
E revolvi a terra
dos  meus vasos
com o regresso de tuas palavras

me chamando o nome.

( Jacqueline Torres )

SOPOESPES

Festa de comemoração dos 2 anos de fundação da SOPOESPES - Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira - 19 de out./2013

Escritora Jacqueline Torres:

Primeira foto: Com Olindina T. Guimarães e o poeta Célio Guimarães.
Segunda foto: Com o poeta Valter Leal e a poetisa Maria Rita de F. Albuquerque.



A poetisa e escritora Jacqueline Torres na festa de comemoração dos 2 anos de fundação da SOPOESPES - Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira - 19 de out./2013


Foto: Olindina T. Guimarães

 Foto: Olindina Tavares Guimarães

Aniversário de 2 anos de fundação da SOPOESPES - Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira - Entidade literária pesqueirense - Agreste de Pernambuco, comemorado em 19 de out./2013.

Na foto membros da entidade e convidados - Estou sentada à direita da foto.

A SOPOESPES realiza seus encontros literários no 3º domingo de cada mês na Cruzada Feminina - Av. F. Pessoa de Queiroz, 318 - Prado - Pesqueira/PE
Telefone para contato: (87) 8811 - 2541



Imagem da Web - Desconheço a autoria

domingo, 6 de outubro de 2013

9ª Bienal Internacional do Livro de PE

A IX BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE PERNAMBUCO ESTÁ ACONTECENDO NO CENTRO DE CONVENÇÕES DE PERNAMBUCO - Olinda/PE
ABAIXO O LINK DE ACESSO AO MAPA DA BIENAL. LOCALIZE O ESPAÇO DA UBE - União Brasileira de Escritores/PE - NO MAPA ESTÁ DEFINIDO COMO "PLATAFORMA DE LANÇAMENTO" EM FRENTE À "PRAÇA DE DESCANSO".

AGUARDO TODOS E TODAS POR LÁ!


http://www.bienalpernambuco.com/wp-content/uploads/2013/09/PLANTA-PDF-03.09.2013.pdf





CONFIRAM ATRAVÉS DO LINK ABAIXO O LANÇAMENTO DO MEU LIVRO "COSENDO PALAVRAS SOLTAS" E TODOS OS OUTROS LANÇAMENTOS DURANTE A IX BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE PERNAMBUCO - NA "PLATAFORMA DE LANÇAMENTO" DA UBE - União Brasileira de Escritores/PE - CENTRO DE CONVENÇÕES DE PERNAMBUCO - OLINDA/PE:

http://www.bienalpernambuco.com/plataforma-de-lancamentos-ube/
CONVITE DE LANÇAMENTO:

sábado, 28 de setembro de 2013

 
Há dores que não se curam e saudades que não cessam...
 
 


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

OSCAR Fingal O'Flahertie Wills WILDE  nasceu em 16 de outubro de 1854 em Dublin, Irlanda e morreu em 30 de novembro de 1900 em Paris França.
 
 
 
            IX BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE PERNAMBUCO
  DE 04 A 13 DE OUTUBRO DE 2013




LANÇAMENTO DO MEU LIVRO "COSENDO PALAVRAS SOLTAS" NA 9ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE PERNAMBUCO

DIA 12/10/2013
ÀS 13h40
ESPAÇO DA UBE/PE - UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES SEÇÃO PERNAMBUCO
CENTRO DE CONVENÇÕES DE PE

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

HUMILDADE

Que a voz do poeta nunca se levante
para ter ressonâncias nas alturas.
Que o canto, das contidas amarguras,
somente seja a gota transbordante.

Que ele, através das solidões escuras
do ser, deslize no preciso instante.
Saia da avena do pastor errante,
sem aplausos buscar de outras criaturas.

Que o canto simples, natural, rebente,
água da fonte límpida, do fundo
da alma, de amor e de humildade cheio.

Que o canto glorificará somente
a origem, quando mais ninguém no mundo
saiba ele de quem foi ou de onde veio.


( Mauro Mota – 1911-1984 )

De Jacqueline Torres
POETAS - MAURO MOTA

Mauro Ramos da Mota e Albuquerque ( Mauro Mota ) nasceu na cidade do Recife/PE em 16 de agosto de 1911 e faleceu na mesma cidade aos 22 dias de novembro de 1984.


Mauro Mota foi poeta, jornalista, cronista, professor, memorialista, ensaísta, geógrafo e folclorista.

Dentre os prêmios e honrarias que recebeu, destacam-se o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, a Medalha Pernambucana do Mérito, outorgada pelo Governo do Estado de Pernambuco, e a Medalha Joaquim Nabuco, esta última concedida pela Assembleia Legislativa de Pernambuco.

SUAS OBRAS:

POESIA

Elegias (1952); A tecelã (1956); Os epitáfios (1959); O galo e o catavento (1962); Canto ao meio (1964); Antologia poética (1968); Itinerário (1975); Pernambucânia ou cantos da comarca e da memória (1979); Pernambucânia dois (1980); Antologia em verso e prosa (1982).

ENSAIOS E CRÔNICAS

O cajueiro nordestino (1954); Província e academia (1954); Itinerário da escola (1956); Paisagem das secas (1958); Capitão de fandango (1960); Geografia literária (1961); Terra e gente (1963); História em rótulos de cigarros (1965); Quem foi Delmiro Gouveia? (1967); O criador de passarinhos (1968); O pátio vermelho, crônica de uma pensão de estudantes (1968); Votos e ex-votos, aspectos da vida social do Nordeste (1968); Os bichos na fala da gente (1969); Pernambuco sim, em colaboração com Gilberto Freyre e Roberto Cavalcanti (1972); Modas e modos (1977); A estrela de pedra e outros ensaios nordestinos (1981); Barão de chocolate e companhia (1983).

Ao falecer aos 73 anos, vitimado por um câncer, deixava atrás de si uma obra e um nome consagrados pela crítica e pelos mais diversos círculos sociais. Seu funeral, no Cemitério de Santo Amaro, foi um dos maiores a que já assistiu a capital pernambucana. Porque o poeta — homem de muitos amigos e um eterno apaixonado pelo Recife — era realmente querido de todos. Sua gentileza e sua cordialidade, ao lado do seu fino humor, tinham conquistado para sempre inúmeros admiradores — alunos, leitores e confrades. Dentre tantas homenagens prestadas por ocasião de sua morte — artigos de jornal, editoriais, depoimentos, sessões acadêmicas, etc. — pode ser destacada a decisão da Câmara Municipal do Recife que instituiu o dia de nascimento do escritor — 16 de agosto — como o Dia do Poeta Recifense.

Fontes consultadas:

http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=827&Itemid=1

http://www.jornaldepoesia.jor.br/mmota.html






sábado, 10 de novembro de 2012


ARTHUR RIMBAUD



Iluminuras - III

Nos bosques tem um pássaro, você pára e cora com seu coro.
Tem um relógio que não toca nunca.
Tem uma brecha no gelo com um ninho de bichos brancos.
Tem uma catedral que sobe e um lago que desce.
Tem uma pequena carruagem abandonada na moita, ou que passa correndo,
decorada.
Tem uma trupe em trajes de comédia, espiada pela trilha da floresta.

E então, quando você tem fome e sede, tem sempre alguém que te manda
passear.

Rimbaud


“ POSSUO UM AMOR ARBITRÁRIO
PELAS COISAS ANTIGAS”.

( Jacqueline Torres )


( Carros na Ponte da Boa Vista - Recife )

VISÕES

(Imagem da Internet)

 No céu deste fim de tarde
há um cavalo negro
de longas crinas
Os olhos vazados para um azul
ainda claro e que aos poucos morre
Também aos poucos
esse corcel sombrio se enfurece
corcoveia e cavalga as sombras
‒ se desfaz...
Desprendo-me de meus estudos
de minhas insuficientes alegrias
para perseguir-lhe a lenta corrida
o seu esmorecer
            dentro da tarde que expira
Seu arfante respiro tão distante
Engolindo-se no concreto
dos prédios e nas copas
            negras das árvores
Longe, longe
            meu cavalo negro agoniza,
delirante, transmudando-se
em um estranho peixe tentálico
Sob o olhar ardente de Vênus
por trás da cortina
            marinho desta janela...
Lá, bem distante, ‒ não parece
Tudo se dissolve, tudo é cinza
A noite entrou com seus passos
            curtos de pano
Vênus sorri, monalísica e monossilábica
            no céu frásico
O cavalo já não existe
já não existe o peixe ou seus tentáculos...
Apenas existe meu olhar triste
            por trás da branca grade
assombrando-se emudecido
com as formas que as sombras
            prendem sobre a cidade
e aqui por dentro de mim.

( Jacqueline Torres )

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O CINZA

 
Gravura: Anne-Julie Aubry

 
A cor cinza é sempre das estradas
dos céus chuvosos
Do aceno de adeus
Da pausa em meio à frase
A cor cinza é sempre da caatinga
É sempre deste meu peito
Não importa o meu riso −
A decoração da sala íntima
é sempre da mesma cor
Os fios elétricos
os postes tísicos
A cor cinza é sempre minha lágrima
Meu suspiro de areia, cinza
...Da velha fuligem
em torno do velho fogão de lenha
que me persegue,
que me queima a memória exausta
e solitária!
A cor cinza sopra o capim
E troveja órfãos trovões
pelas serras cinzas de pano
O vento é cinza,
minhas saudades,
o poço,
a fumaça distante,
a pausa,
o porto e o ponto.


( Jacqueline Torres -14/11/11 )

domingo, 15 de abril de 2012

VÉSPERA DE CHUVA

Imagem da Internet - Desconheço a autoria



Uma chuva de vírgulas

cairia sobre o meu poema

se nele me ocupasse de elencar

minhas dores,

minhas aflições,

meus medos...




Amparo-me,

começou o sereno.


( Jacqueline Torres - 01/03/2012 )